segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Atrás das portas

 

Anseio o asfalto...

A portas fechadas me assalto

Roubo minha lucidez

Grito de medo, é alto

Finge não ouvi-lo a sensatez...

Fantasmas bailam em profusão

Uma masmorra ou bela cela?

Saboreamos o gosto de uma prisão

Ah! doce é o sabor de ir e vir

A certeza de se possuir...

O momento é impreciso

Preso também jaz o riso

Pairam apenas anseios de liberdade

A vida se fez metades

...Mente a mente, arde...

Não há o que a sacie saber

Lições as quais nunca se quis aprender

Hoje transitam, tornando-a demente

Pagam-se pecados

Todos somos réus

Muitos, libertos se vão

Que alcancem os céus...                         

 

Ema machado

terça-feira, 26 de setembro de 2017


foto Web
Incrédula...

Ela estava ali
Onde sempre quisera ir
Estática 
Sentia-se perdida
Como se o novo não lhe desse vida...
O riso fugia dos lábios
O sangue pulsava
O tempo escorria
E ela...
Ali, parecia 
Um plágio
Uma cópia de si...
O que via?
Sombras e medo
Desafios que dela riam
Num escárnio frenético...
Ela 
Apenas um ser cético
Sem crer no que via
Deixara-se, merecia...
Uma felicidade que não previa
A abraçara dizendo:
Aproxime
Seja bem vinda!

Ema Machado.

domingo, 18 de junho de 2017

Negra Marca…
imagem Pixaby


Tua é a face
Face do medo
Da dor
Do desassossego
Teu olhar é noite sem estrela
Como os dias em que atravessas
Densas e sombrias florestas 
Onde habitam algumas feras...
Teus sonhos, quimeras
Roubados pelo preconceito
Pelo escarnio, pelo abandono
Tua
A servidão
A escravidão
Sem piedade ou razão...
Não há humanidade
Na insanidade
Roubam-lhe a alma
Condenada a pele
Pela cor 
Pela fé que fere
Pelo sorriso branco
Pela dança e pelo canto
Pela falta de pranto…
Teu alento, não vêem
Teu sangue é vermelho
Como de todo aquele que se admira no espelho...

Ema Machado.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Minúcias…
Ah, claridade! 


Afaga o olhar

Esse sol a beijar a pele...

Doces instantes se esvaem
Contemplo o tempo em séries
Caminho pelos sonhos
Alguns perdidos
Outros ganhos
No ontem as intempéries
Hoje as marcas na pele…
Quem escreve a história?
O tempo marcado em mim
Ou minhas perdas e glórias
Não se muda o curso de um rio
Caminha por suas memórias
No tear da vida vou tecendo
Seguindo a trama
Se erro ou esmoreço
Desmancho, volto ao começo…
Ah, claridade!
Foges sorrateira em fim de tarde
Deita-se no horizonte
Me deixas a espera da noite
Onde habita Morfeu
Leva-me ao mundo de sonhos
Onde ninguém escreveu…

Ema Machado.

segunda-feira, 8 de maio de 2017


Pintando poesia...

Eis-me aqui
Entre paredes do medo e de um fim
Pintando portas em idéias tortas
Sonhando em palavras ditas ou malditas, não importa...
Se esvaem de mim
As cegas tateio
 Busco a poética
Costurando entre linhas meus versos
Coloridos ou apenas atrevidos
Se não encontro neles sentido...
Entrego-me a poesia
Por vezes ao perder​ o sono
A ela me abandono
Acalenta minhas retinas
Se esboça em Letras disformes
Ainda menina
Nas quais, ouso ou me proponho...
E o eu discorre
Num diário imaginário
Ou picadeiro de circo
Onde repassa suas cenas
Para tudo ficar mais bonito...

Ema Machado

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Fragmentos...

Foto Web


Fragmentos...


Espalho-me...

Folhas amassadas,

Telas frias,

Lugares incertos,
Horas vadias...
Esse é meu universo,
Retalhos no tempo,
Em frases e versos...
Não me deixes esvair!
Junte, una partes de mim,
Quando não estiver aqui...
Que não seja grão de areia,
Espalhada ao vento,
Sem eira nem beira,
Em dunas e desertos...
Não me deixes esvair!
Que eu diga sem dizer,
Toque sem tocar,
Seja cantiga na alma, 
A acalentar...